Mostrar mensagens com a etiqueta Diário. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Diário. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Sri Lanka: Vida Selvagem

É disto por todo o lado

À primeira vista é tentador, mas não recomendamos
O local do "incidente".
Estão a ver a selva mesmo ali?
É areia filho! É areia!

Eu tinha o sonho de ficar na selva, à beira-mar, a comer peixe e marisco fresquinho. Descalça o dia todo. Tipo amor e uma cabana. E achei que o Hiriketyia havia de ser fantástica para isso. E é. Mas só se não tiverem problemas com animais com mais de 4 patas. 
Hiryketiya é uma baía no sul do país. A selva foi sendo desbastada apenas o suficiente para "encaixar" as construções: casinhas e bares de praias. Ao principio é o paraíso se só quisermos surfar, comer, descansar. E nós tínhamos planeado ficar no bem bom uns 10 dias. Até que demos de caras com a "vida real". Aqui na forma de aranhas que mal dão para esborrachar à chinelada. Depois da primeira aparição nunca mais consegui descansar. Pelo menos, não na cabanazinha. Portanto, as noite foram um problema. Só para mim, felizmente. A criancinha dormiu que nem um anjinho papudo. Nunca se apercebeu do "incidente".
Se forem como eu, esqueçam a cabana e escolham um alojamento que tenhas vidros e redes mosquiteiras nas janelas e vão. A água quentinha, tipo cházinho morno e sem tubarões. A comida. Atum, Mahi-mahi (o peixe lá do sitio). Muitos vegetais e frutas. A cerveja em latas de meio litro. A água de coco fresquinha. Um minuto a pé entre o alojamento e a praia.
A baía é pequenina, portanto é fácil ficar "à pinha", comer com os pés dentro de água, etc. Mais difícil é tirar aquela foto a fingir que fomos nós que descobrimos aquele pedaço de paraíso. 


Só neste bocadinho é que não havia ninguém - uma sorte!

Onde queríamos ter ficado e onde comemos na maior parte dos dias. Dois restaurantes "family friendly":

O que fazer:
Comer, beber, descansar, nadar, agradecer ao universo, repetir.
The Grove Lanka
aka "restaurante do carro de bombeiros"

Ainda tirámos uma manhã para ir à vila. Mas com a cria às costas, sem passeios e com tanto trânsito que acaba por ser difícil respirar, não aguentamos mais de 20 minutos e voltámos à nossa selva.

A outra manhã que tirámos foi para ir a Udawalawe National Park. O pessoinha queria muito ver os elefantes. Mas eu queria ainda mais. Lá pedimos ao nosso anfitrião do Airbnb que nos arranjasse transporte. De Hyriketyia são cerca de 2 horas e escolhemos ir de manhã cedo. Também é possível ir à tarde. Cada safari dura entre 2 a 4 horas.
Só quando chegamos ao parque é que percebemos que aquilo não é o Badoca Park. É mais cada um por si. É preciso contratar motorista e há quem contrate guia. Os motorista e os guias estão alinhados nas suas pickups à entrada do parque tipo praça de táxis. O nosso anfitrião não só nos arranjou transporte, como nos arranjou motorista para o parque, que era também guia. Estilo 2 em 1.
E só depois de termos feito o safari é que percebemos que devíamos ter levado um lanchinho. Felizmente tínhamos um pacote de bolachas.
Para primeira vez gostamos muito. Como éramos os únicos no jipe deu para ver tudo sem pressas.
Em resumo, além da entrada no parque é preciso pagar ao motorista e guia, se for caso disso.

Também vimos crocodilos, búfalos de água, muitos pássaros...





quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Ir: Sri Lanka





Quando apetece mochilar no quentinho,  não queremos morrer sem ver um bocadinho do mundo, mas temos crias pequenas, para onde é que uma pessoa vai?
Tira 15 dias de Janeiro, aqueles que em que o frio extremo não falha cá na nossa xafarica e pira-se para o Sri Lanka. E porquê o Sri Lanka?
Porque é um destino seguro e barato. Na verdade não é barato em tudo. Mas poupa-se numas coisitas. Gasta-se noutras.
Ah, para quem pesquisar, hão de encontrar meio milhão de de blogs, onde meio milhão de pais afiançam que o Sri Lanka é fantástico para ir com as crianças. Mas é mentira. Qualquer hotel de 4 estrelas (no mínimo) e com kids club é que é fantástico para ir com as crianças. Daqueles onde podemos lá descarregar as crias e ir à nossa vidinha descansados.
Mas se tiverem filhos por opção, e se acham que apesar das birras, do quero/ não quero e de tudo o resto, o tempo que os estaferminhos passam connosco é do mais precisoso que há e não querem chegar aos 14 anos deles a terem saudades dos terríveis 2, então sim!, o Sri Lanka é fantástico.
É de facto seguro e as pessoas são especialmente atenciosas para com as crianças.
Só não esperem encontrar as condições que temos por cá: cadeirinhas de refeição e automóvel, prioridades em filas, etc.
Como não tenciono voltar, que o mundo tem muito para ver, achei melhor ver o máximo possível. O que foi muito pouco, mas foi o melhor que pudemos e estou agradecida.
O nosso itinerário foi pensado para arejar as ideias e para descansar um 
bocadinho, mas se fosse novamente fazia uns ajustes.



Ora então... Aterrámos em Colombo e no mesmo dia apanhámos um transfer para Kandy. Já tinha sido combinado com o nosso anfitrião. Custou-nos cerca de 40 € e durou 3 horas, apesar de serem só cento e poucos quilómetros. Não é muito boa ideia quando se viaja com crianças sair de um voo de 12 e ir enfiarmo-nos num carro mais 3 horinhas. Mas nós tivemos sorte.
Em Kandy só ficámos 2 noites. Vimos o Jardim Botânico, os jardins do Templo do Dente de Buda e um espectáculo de dança típico.
À entrada do templo passámos pela policia da vestimenta. O Bruno teve de por o meu pareo/lenço a fazer de saia, porque os calções não tapavam os joelhos e eu cobri os ombros. Mas já íamos prevenidos. Houve um monge que achou imensa graça à cria com as suas bochechas de anjo papudo. Tiramos foto e segue para o jantar.
Achámos que com 13 quilos de miúdo literalmente às costas não ganhávamos nada em  andar a correr de um lado para o outro a tentar ver tudo.
Sendo Kandy nas montanhas almoçámos e jantamos em rooftops com vistaça! Sim, é preciso ir ao Sri Lanka para comer num rooftop. É muito mais barato e a comidinha muito melhor. Ele é vegetais, ele é coisas picantes (também) cujo nome já não me lembro, ele é frutas coloridas e sumarentas. Uma maravilha. Cada refeição para os 3 custou-nos entre os 15€ e os 30€, com bebidas incluídas.
Estas andanças foram todas com o mesmo motorista que nos foi buscar ao aeroporto. Acaba por ser mais prático e provavelmente mais barato.
O airbnb onde ficamos é um verdadeiro oásis dentro do trânsito infernal que é um problema generalizado e dificulta muito as caminhadas a pé. Há um quarto com piscina privada e o pequeno-almoço está incluído. Os quartos são pequeno, limpos, arejados, mas há AC, se for necessário.











quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Uma foto por 2017



Se tivesse de escolher só uma foto para este ano seria esta. 
Detestei estar grávida. Andei confusa nos primeiros meses de vida do bebé. 
Comecei um trabalho novo e diferente de tudo o que tinha feito até agora. Acertei em cheio, mas o mérito não é só meu. Comecei a trabalhar antes de o Pessoinha ter completado 3 meses. 
Este ano comecei a abraçar com mais força a minha nova vida. A saber estar nesta vida que escolhi (ui, que lamechas!) e que é absolutamente multipolar. Qualquer coisa entre a snob lisboeta de coração provinciano que ainda tem uns tiques, mas diz que passa a manhã  toda no campo e depois aparece de chapéu de palhinha e botas alentejanas à tirador de cortiça. Não é fácil. 
Esta foto deve ter sido tirada num sábado à tarde, à hora da cesta. Naquelas horas em que sou só mãe e vida parece bem mais simples: alimentar, brincar, adormecer, cuidar.
Não tarda, o meu bebé já não vai querer aninhar-se assim em mim, a parecer um ursinho agarrado a uma árvore. Mas enquanto quis, eu aproveitei. Sempre.
Venha 2018!


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Avarias - A jeitosa parte II


Sim, é uma espécie de luzes de Natal

No último mês avariou-se-me o carro, a máquina de lavar de loiça e para cúmulo consegui deixar cair o telemóvel do trabalho de maneira que a bateria embateu no chão de tal forma que inchou.
Só para dizer - deus dos electrodoméstico e coisas úteis em geral - que trocaria de bom grado todos os supra-citados pela televisão, pelo microondas e pela máquina de café. Se ainda for a tempo, obrigada, meu deus!
E porquê?
A televisão já veio de casa dos meus pais, já vivemos as duas juntas solteiras e despreocupadas, depois conhecemos aquele que viria a ser o maridão e estamos juntas desde sempre. Quer dizer que a dita cuja é daquelas gigantes, que pesa na boa uns 40 quilos e tem muita superfície para limpar.
A máquina do café é a mesma coisa. Quando vivíamos as duas com os meus pais partia-se (sim, forma impessoal incondicional, ou lá o que é) à vontadinha uma cafeteira por mês. Mas, desde que fomos viver para casas alugadas com cozinhas minúsculas, nuuuuunca mais. Já se fartou de viajar e, oh milagre dos milagres!, está inteira.
O microondas veio sabe-se lá de onde em segunda mão.
Agora, a porcaria do carro e a máquina de lavar loiça eram novinhos. Parece-me que há aqui uma coincidência...

A foto em cima é da cozinha, desenhada e pensada por mim, onde se pode podia arrumar a loiça da máquina todinha sem praticamente sair do sítio.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Conversas de trabalho II

Resultado de imagem para land is the only thing lasts



A outra pessoa: "Olhe pode-me ajudar aqui na montra? Não tem mais barato do que isto?"
Eu, a provinciana sorridente: "Não. Esse é nosso Último dos Moicanos (não sei porquê ando muito cinematográfica)."
A outra pessoa: "Não???"
Eu, a provinciana sorridente: "Não, não temos. Não com essa dimensão e nesta zona."
A outra pessoa: "Olhe eu vou levar um cartãozinho seu, está bem?"
Eu, a provinciana sorridente: "Com certeza. Obrigada. Bom dia".

Não, não estávamos a falar de atoalhados.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Não há uma única revista decente para mulheres, pois não?

Resultado de imagem para vogue julho 2017



Está a fazer um ano desde a última vez que comprei uma revista para mulheres. Foi a Vogue de Agosto do ano passado com a Helena Christensen na capa. 
Comprei porque:
1| fazia uma antecipação da moda de Outono (eu já estava fartinha de transpirar) e queria muito saber o que se ia usar na próxima estação
2| era uma espécie de edição especial sobre mulheres com carácter
3| apetecia-me assim leitura fútil, ver bonecada

Com certeza que me arrependi.
Porque:
1| Segundo essa bíblia para o mulherio afinal nesse Outono ia usar-se tudo. Juro. Era fooooolhear o suplemento e perceber que o preto total ia voltar (quando é que se foi embora?), ainda se podia usar o casaco de pêlo (que sorte a minha, ufa), valia o cinto largo e o cinto fino, a bota acima do joelho e aquela que fica assim a meio do presunto, a bicuda e a outra tipo motard (ah! que sorte), o vermelho e o cor-de-rosa juntos iam ser obrigatórios (que maçada!, por acaso nunca gostei de ver)
2| As mulheres com carácter... agora não me consigo lembrar de nenhuma.
3|Só as últimas duas irritara-me de tal maneira que voltei aos novels sangrentos e violentos enquanto o diabo esfrega um olho.
Um dia a Tédi (a minha ursa gorda) apanhou a revista e zás! leu-a de uma ponta à outra. E toda a gente sabe que quando a Tédi lê qualquer coisa nuuunca mais ninguém a vai conseguir reler.

Já há poucos dias, no consultório BUMBAS, dou de caras com leitura para gajedo outra vez. Pelo menos esta é grátis!
Pego na HAPPY de Maio e assim num cantinho " Como elas fazem viagens de luxo a troco de sexo" Ó Santíssimo Sacramento! É caso para dizer Não habia nexexidade! Então agora moxazzzezz casadoiras com estudozzzzezzz, académicaszzezz! Valha-nos deus!
'Pera lá! Ou então... querem ver que as viagens de mochila às costas, os interrails, as viagens baratuchas aka low cost saíram de moda já há dois meses e ninguém me avisou?



Isto não me parece nada feliz. Duas ou três páginas de testemunhos sonhadores de jovens mulheres que se diziam muito satisfeitas com este tipo de "viagens". Por acaso sempre achei esta revista esquisita.







quarta-feira, 28 de junho de 2017

Pessoas daquelas

Resultado de imagem para o inferno são os outros




A mim serve que nem uma luva. Tenho as minhas pessoas e de resto passo muito bem sem small talk, constatações meteorológicas, diagnósticos e opiniões sobre saúde, comentários políticos, e (ainda e sempre) observações sobre a minha figura. O que sei da vida dos outros guardo para mim (a menos que seja necessário uma arma de arremesso) e o que não sei (às vezes) prefiro continuar sem saber.
Mas no outro dia conheci uma pessoa, Não das outras. Daquelas. Contei-lhe uma coisa que nunca tinha contado a ninguém e fiquei a sentir-me mais forte, mais capaz. No final da conversa disse "obrigada por tudo" e tudo não foi só pelas explicações claras ou pelos mapas, foi pela conversa toda. E foi sentido. Só não disse "espero termos outras ocasiões para falarmos mais." Mas devia ter dito. Não é todos os dias que conhecemos uma pessoa destas.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O meu bebé faz um ano! Parte II



Aonde é que íamos?
Ah! Portanto: eu ia entrar directamente. E entrei. PARABÉNS para mim!

"Pronto, então agora calce... trouxe chinelas... óptimo!... vá tomar um duche para relaxar e depois vista esta bata e venha ter comigo".
"Obrigada, mas já tomei em casa". 
"Mas é para relaxar". 
"Eu estou relaxada (então não se via logo? vamos lá despachar isto mas'é!)".
Lá fui. Cheia de nojinho. Mas era melhor não arranjar problemas já, certo?
A maternidade era daquelas "amigas dos bebés". Tinha bola de pilates, um banquinho com ar de também poder ser utilizado para torturas de vários tipos, cordas ou elásticos pendurados do tecto. E até uma aparelhagem se quiséssemos ter levado música. Nesta altura só queria dormir. E a música tipo zen deixava-me nervosa. Eu tinha um livro para me ajudar a distrair.
E a epidural? Eu adoro agulhas. Sempre fui sozinha levar as vacinas, desde pequena, aliás. A Mamã nunca teve de ir comigo já eu tinha mais de 20 anos. Nunca. E tirar sangue para análises? É com uma perna às costas. Certo, Lola "A Carniceira"? Nunca o maridão teve de ir comigo. Nunca. Pff... tirar sangue, fácil, seus mariquinhas!
Foi mais ou menos assim:
"Amor, acho que vou precisar de epidural, não aguento mais, tremo toda. Chama lá a enfermeira". "Sim, dê cá o papel que eu assino". 
"Então agora preciso que se deite de lado, joelhos ao peito e não se mexa". 
"Espere, espere só um bocadinho (quero a minha mãe)". "Pronto, tudo bem". "Mas vai doer não vai?" "Mas está pronta ou não? Quer desistir?"
"Sim. Acho que não vou conseguir."
"Não temos muito tempo. Tem de se decidir rapidamente. Tipo agora!"
"Pronto 'tá bem, pode ser (ONDE ESTÁS MAMÃ??????)."
" Então vamos lá outra vez. Vai ter de estar muito quieta."
" EsperEEEEE! Acha que vou conseguir aguentar a dor? Isto depois não melhora?"
"O que eu acho é que estamos a ficar sem tempo. DespachE-SE! Quer ou não?"
"Espereeeee... Ok. Pronto, eu consigo!(acho que chorei, não de dor, mas de solidão porque nesta altura não autorizam o acompanhante no quarto)!" Já pode..."

Depois seguiram-se 10 horas de esforço! Nos intervalos li o "Scat". Outras mulheres gritavam. Palavrões, algumas! Enfim, margem sul, fazer o quê? Eu não. A minha Vovó ensinou-me a ser uma lady. A sentar-me como deve ser e tal. 
Mas depois o tempo para pôr o Pessoinha cá fora estava a acabar. Ia ser preciso cesariana. Já tinha sido preciso máscara de oxigénio e mudar de posição várias vezes para não faltar o ar ao bebé.  E eu "RAIOS! Uma gravidez super saudável. Um bebé saudável! E agora vou à faca e às vezes acontecem coisas e toda a gente sabe que o parto natural é melhor para o bebé!"
Resolvi que ia gritar também! Que se lixe! E além disso a parteira já me tinha mandado gritar. E o bebé lá saiu. Alguns minutos depois de chamarem o médico para fazer a cirurgia.
PARABÉNS!!! a mim.
Muito mais perfeito do que eu imaginava. Nem roxo, nem amachucado. Era cor-de-rosa e até bonitinho. Mas isso devia ser dos meus olhos de Mãe também acabada de nascer, porque agora vejo as fotografias e o miúdo afinal era feiinho. Agora é que está um bonitão!
Os dois dias a seguir é que foram piores.
Mas tenho consciência que tive muita sorte, muita sorte! Porque este espectáculo todo é quando a coisa corre bem. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O meu bebé (vai) faz(er) um ano! Parte I


Modo: barriga-pousa-copos-de-gelados. Dava um jeitaço, há que dizer a verdade!

Parabéns a mim!, que há um ano tive uma das noites mais difíceis... não... mais carregadas de emoção e provavelmente de importância de toda a minha vidinha. As noites difíceis foram as relacionadas com tonturas, dificuldade em andar em linha recta, parvoíces e frequências no dia seguinte.

O maridão vai dar uma conta diferente, mas, para mim, o trabalho de parto durou p'raí 16 horas. E depois viver no Alentejo... A maternidade fica só a 100 km e ele ainda teve de ir deixar as monstras no hotel canino em Santiago do Cacém. Mais 60 km. 30 para lá e 30 para cá. Eu fiquei debaixo do chuveiro a tentar manter a calma. 
Tinha tirado notas das aulas pós-parto. Também tinha pedido instruções à minha cunhada (a mãe mais prática e descomplicada que conheço). Tinha todo um rol de instruções para mim própria. E RESULTOU! Caraças! Toda uma pessoa que tem tendência para o exagero em modo calmo, a saber que estava a fazer tudo bem. Parabéns para mim!
Parabéns a mim! E à minha médica, vá, que atendeu sempre o telefone, apesar de estar também de licença de maternidade.
Por acaso, nesse dia éramos para ir para a praia. Eu ainda mal tinha conseguido ir a banhos nesse verão. Mas quando estava a fazer as sandochas... queijo e fiambre para ele (que aborrecido) e patê de atum para mim (sou uma espécie de Hobbes)... sinto umas cólicas. 
Bonito serviço! Tantos gelados devem ter-te dado um desarranjo intestinal. Boa! Pensa... nós vamos para o Carvalhal... há um wc público e dois restaurantes. Eu tenho mais 14 quilos, estão 38º e a areia está quente. Em caso de emergência quanto tempo é que demoro a chegar à casa-de-banho. Vá lá ver... lei da inércia? Dos corpos em movimento, não? Break-even point? Não, isso é qualquer coisa de economia, quando os ganhos e os gastos não sei quê...
'Pera lá!!! 40 semanas + 2 dias = X. E X equivale a... 
Já sei! Pontos para mim. São contracções! AMOOOOOR já não vamos à praia! Acho que me vou sentar no sofá e apontar os tempos. Liga lá a TV para ver como é que estamos de Brexit.
Diziam as minhas notas que era preciso já estarmos num determinado intervalo de tempo entre as contracções para nos deixarem entrar na maternidade. E raios m'partam!, mas eu é que não ia ficar ali sentada numa sala de espera a respirar aqueles ares da margem sul, juntamente com um montão de pessoas todas constipadas e com alergias.
Eu ia entrar directamente. E entrei. PARABÉNS para mim!..convencida de que aquilo ia ser rápido. Só que não foi.


terça-feira, 7 de março de 2017

Tinhas de ser tu

Resultado de imagem para calvin


Se pudesse andava sempre, sempre de vestido, mas não de saltos altos. Nunca de saltos. De ténis, botas confortáveis ou sandálias. E sempre, sempre de unhas pintadas. Mas detesto cor-de-rosa.
Sou morena, nunca quis ser loira. Uma vez sonhei que tinha uma filha de cabelo encaracolado e castanho muito escuro.
Tu és loirinho. Tens o cabelo fininho e macio como a tua prima mais loirinha.
Eu tinha barbies, nenucos, pinipons e barriguitas mas gosto é de Lego, de Playmobil, do Calvin (do Hobbes, não do Klein), do Lucky Luke e do Gaston Laggafe. Foi isso que guardei, sem ter a certeza se...
Quando pensávamos que eras uma menina planeei vestidos a condizer e turbantes a fazer pandan.
Hoje estou contente por não ter  de pensar em lacinhos e coisas fofinhas. Já estou é a pensar é em baldinhos e pás e forminhas para a praia. Eu não sou fofinha. Mas tu és. Às vezes puxas-me o cabelo, com um arzinho meio rebelde. E outras vezes agarraste-me a mim como um ursinho fofinho. 
Eu sou céptica, pessimisto-realista, tenho pouca fé na vida, no mundo e nas pessoas em geral, mas desta o Universo acertou em cheio: só podias ser tu.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Ide e emprestai!


6 meses de Pessoinha
Eu sei que houve isto mas afinal não gosto de comprar roupa para o meu filho. Já no principio foi uma confusão. Será que vai estar muito calor, calor mais ou menos, pouco calor? Será que o bebé vai ser acalorado como o pai ou friorento como a mãe? Será que vai ser grandão e as roupas de 1 mês não lhe vão servir? Será que vai ser pequenino e vai ter de usar roupa de 0 meses?
Cada vez que falava com alguém ficava ainda mais confusa. Resolvi fazer assim um misto entre aquilo que eu acreditava e os conselhos da (minha) Mãezinha.
 Quando as rouparam deixaram de servir e tive de as lavar e arrumar é que comecei a ver o panorama e não gostei nada da sensação. Entretanto  tive sorte. Amigas emprestraram-me roupa. Montes de roupa. Algumas serviram. Outras já  não, outras ainda não servem. 
Sim, estavam usadas. No lote calhou-nos um pijama com gola redonda de menina  e um dos swaddles era cor-de-rosa. "Mas para dormir não ofende ninguém". 
Portanto, comprei meia dúzia de peças que combinei com as emprestadas e assim fui poupada a mais um brainstorming violento e ao gasto de muitos euros. Fiquei mais livre para outras coisas mais importantes como planear brincadeiras e passeios.
Quando a roupa já  não servir  é  só lavar, dobrar e devolver com carinho.
Mais recentemente tive a sorte de me terem emprestado um carrinho, já que o nosso teve de ir para arranjo ainda nem tinha um mês de uso. Mas isso é uma (looonga) história.
Um dia, espero ser eu a emprestar a (pouca) roupa de bebé que comprei.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Companheiro pezinho descalço



Não  usas sapatos. Para já, não precisas. (Eu também gostava de não precisar.) Por isso foste o primeiro a ter as mangas e as calças arregaçadas e o pé ao léu.
Andaste despido nos primeiros três meses de vida. E agora andaste com os pés nus outra vez. E feliz. O teu primeiro voo foi  um sucesso e o teu sorriso conquistou-nos a todos. A mim especialmente. Mais ainda. 
Quero andar descalça contigo pelo mundo. Vamos? 

sábado, 31 de dezembro de 2016

Adeus 2016

Fomos a Lisboa dizer adeus a 2016

Foi um ano triste em muitos aspectos. Para mim foi inesquecível. Teve os momentos mais emocionantes e a pior noite da minha vida. Andei assustada, em pânico,  muito sozinha, muito feliz, muito confiante, tive sempre o meu companheiro ao meu lado. Dancei sozinha e já dancei muito com o meu filho. 
Lancei - me num novo desafio de trabalho.  Aprendi muito nestes últimos meses.
Parte da família volto e soube - me bem abraçar as princesas no Natal. 
Para 2017 só quero mais tempo.  Para tudo.  Para a família.  Para o Amor. Para ler. Para não fazer nada. Para escrever. Para mostrar o mundo ao meu filho. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Vai ser uma desgraça

 
O Pessoinha faz birra quando tem sono. Como qualquer bebé. Se lhe pusermos a chucha e ele fechar os olhinhos já sabemos que tem de ir dormir.
Ontem quando cheguei a casa já tinha tomado banho e despachado o biberão das sete. Brincámos até às oito e meio. Depois ficou birrento. Levei-o para o quarto, onde berrou ainda mais, troquei-lhe a fralda. Acalmou. Deitei-o no berço, liguei o bonequinho que dá música e luz e saí do quarto. Acabou por adormecer sozinho sem mais birras e o pior é que isto não é a primeira vez. Tem acontecido. Uma pessoa assim até pode ter tendência para pensar no segundo. E o segundo ('tá-se mesmo a ver) vai ser terrível.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Porque é que no Ikea nós é que temos de fazer tudo.


Porque no momento em que não somos parte activa no acto da compra corre tudo mal.
Nós é que andamos quilómetros dentro da loja à procura de um funcionário. Nós é que anotamos num papelinho as compras. Nós é que temos de as tirar do armazém e nós é que temos que as encavalitar na porcaria do carrinho. E nós é que temos de por as coisas a jeito da menina da caixa as "picar". Ou então podemos nós passar as compras na caixa automática. Ou seja, desencavalitar tudo do raio do carrinho e depois voltar a ajeitar.
Ora, depois desta ginastica toda e na parte da ginástica caseira que é ter de encaixar as várias partes, chego à conclusão que a funcionária dos roupeiros fez asneira e para um roupeiro de 2 metros vendeu-me uma porta de 2 metros e 30´.
Então e eu não reparei que uma caixa era maior do que a outra? Ora, depois da ginástica toda e 10 minutos à espera na fila da cafetaria (sim, tinha mesmo, mesmo fome), mais 40 minutos na fila dos roupeiros (sim, o IKEA marimba-se nas famílias com crianças de colo, grávidas e pessoas com dificuldade motora e não tem política de prioridades) e ainda 15 minutos na fila das caixas (pois, existe p'raí 1 ou duas filas prioritárias, valeu-me a simpatia de um senhor já com uma filha crescida) NÃO! Não reparei. Na verdade, no momento em que estamos a encafuar as compras todas no carro já não vemos nada à frente.
Pois, só mesmo com mobiliário giro e barato é que eles se safam.

sábado, 1 de outubro de 2016

Nota para mim mesma


1. Custa-te levantar o traseiro da cama logo de manhã cedo para correr, mas depois ficas de bom humor o resto do dia e cheia de energia.
2. Lá por a malta ser da tua terra não quer dizer que tenham algo em comum. Poderás ter de os mandar bardamerda.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ainda cá estamos!

Eu agora vou no banco de trás. Ao princípio é estranho, mas depois habituamo-nos. Até tenho menos tendência para adormecer.

A remediar a coisa: praia das 17h30 até ao final. 

O Pessoinha é apaixonado pela amiga andorinha. Fala com ela, farta-se de rir ri-se muito e fica muito quietinho em contemplação

O trabalho não parou durante o verão. Foi a loucura. É bom saber que fizemos alguma coisa bem

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

As primeiras

Levantei-me cedo para ir dar uma corridinha. Pelo caminho pareceu-me que já havia amoras. Nem pensar... não é cedo demais? Parei para apalpar uma. Oh sim! Algumas já estavam no ponto. No resto do caminho corri de arbusto em arbusto. A comida saudável é tão importante quanto o exercício, não?

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Acabou


Eu já estava a ficar farta, mas acho que ainda não tinha dado por isso.
Mas esta semana o meu irmão:
- " Então e a casa está pronta?"
Já nem sei o que respondi. Acho que balbuciei qualquer coisa como:
- "Ah, só falta pintar a porta do quarto do bebé e as paletes para a varanda e fazer o almofadão para as paletes e ..."
E depois cansei-me e fiquei com a sensação de que isto não tem fim.
 
No dia seguinte, no quarto do bebé, o futuro papá, face à minha preocupação para com a falta de espaço para arrumar roupas e etc, diz:
-"Fazemos-lhe um roupeiro. Deixamos a cómoda por baixo, compramos umas prateleiras, fazemos as laterais e umas..."
E eu: "NÃO! CHEGA! Acabou-se! Ninguém faz mais coisíssima nenhuma! Acabou-se."
E ele: "Mas isto é fácil e não é já e..."
Eu: "Não, por favor! Não vamos fazer nada. 'Tou farta! Compramos um armário! Compramos!"
 
Raios! Nestes 3 anos, a minha mania até deu jeito. Viemos para o Alentejo quase sem nada e foi preciso improvisar, mas desde as costuras às pinturas, passando pela jardinagem e pela restauração de móveis, já só me faltou fazer os meus próprios palitos.
Olá! Eu sou a Ana e sou viciada em ter a casa permanentemente transformada num estaleiro de obras.
Já não martelo, nem pinto, nem envernizo nada há 12 horas.
 
Ficam as costuras, que dá jeito ter um trapinho novo ou uma almofada e a culinária, porque todos precisamos de comer, né?

 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Porque sim

Faz amanhã 2 anos que tirámos esta fotografia
 
Faz amanhã dois anos que ele me deixou pendurada na Fontes Pereira de Melo para ir meter moedas no parquímetro. A conservadora deve ter pensado: "olha, mais uma...coooitada". 
Nesse dia, ele descobriu que não sabia o meu nome todo.
Não houve vestido, nem flores, nem bolo, nem convidados. Almoçámos hamburgers no Príncipe Real. Trocámos as alianças no miradouro de S. Pedro, para recordar um  fim de tarde de Verão, em que partilhamos uma garrafa de vinho branco fresquinho (escolhida por mim no supermercado) e um par de horas de boa companhia. 
Jantámos com uma amiga e no dia seguinte fomos para Marrocos.
Porquê?
Porque sim. Porque foi a nossa escolha. E se fosse hoje, fazia tudo outra vez.