quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Avarias - A jeitosa parte II


Sim, é uma espécie de luzes de Natal

No último mês avariou-se-me o carro, a máquina de lavar de loiça e para cúmulo consegui deixar cair o telemóvel do trabalho de maneira que a bateria embateu no chão de tal forma que inchou.
Só para dizer - deus dos electrodoméstico e coisas úteis em geral - que trocaria de bom grado todos os supra-citados pela televisão, pelo microondas e pela máquina de café. Se ainda for a tempo, obrigada, meu deus!
E porquê?
A televisão já veio de casa dos meus pais, já vivemos as duas juntas solteiras e despreocupadas, depois conhecemos aquele que viria a ser o maridão e estamos juntas desde sempre. Quer dizer que a dita cuja é daquelas gigantes, que pesa na boa uns 40 quilos e tem muita superfície para limpar.
A máquina do café é a mesma coisa. Quando vivíamos as duas com os meus pais partia-se (sim, forma impessoal incondicional, ou lá o que é) à vontadinha uma cafeteira por mês. Mas, desde que fomos viver para casas alugadas com cozinhas minúsculas, nuuuuunca mais. Já se fartou de viajar e, oh milagre dos milagres!, está inteira.
O microondas veio sabe-se lá de onde em segunda mão.
Agora, a porcaria do carro e a máquina de lavar loiça eram novinhos. Parece-me que há aqui uma coincidência...

A foto em cima é da cozinha, desenhada e pensada por mim, onde se pode podia arrumar a loiça da máquina todinha sem praticamente sair do sítio.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Conversas de trabalho II

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A outra pessoa: "Olhe pode-me ajudar aqui na montra? Não tem mais barato do que isto?"
Eu, a provinciana sorridente: "Não. Esse é nosso Último dos Moicanos (não sei porquê ando muito cinematográfica)."
A outra pessoa: "Não???"
Eu, a provinciana sorridente: "Não, não temos. Não com essa dimensão e nesta zona."
A outra pessoa: "Olhe eu vou levar um cartãozinho seu, está bem?"
Eu, a provinciana sorridente: "Com certeza. Obrigada. Bom dia".

Não, não estávamos a falar de atoalhados.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Não há uma única revista decente para mulheres, pois não?

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Está a fazer um ano desde a última vez que comprei uma revista para mulheres. Foi a Vogue de Agosto do ano passado com a Helena Christensen na capa. 
Comprei porque:
1| fazia uma antecipação da moda de Outono (eu já estava fartinha de transpirar) e queria muito saber o que se ia usar na próxima estação
2| era uma espécie de edição especial sobre mulheres com carácter
3| apetecia-me assim leitura fútil, ver bonecada

Com certeza que me arrependi.
Porque:
1| Segundo essa bíblia para o mulherio afinal nesse Outono ia usar-se tudo. Juro. Era fooooolhear o suplemento e perceber que o preto total ia voltar (quando é que se foi embora?), ainda se podia usar o casaco de pêlo (que sorte a minha, ufa), valia o cinto largo e o cinto fino, a bota acima do joelho e aquela que fica assim a meio do presunto, a bicuda e a outra tipo motard (ah! que sorte), o vermelho e o cor-de-rosa juntos iam ser obrigatórios (que maçada!, por acaso nunca gostei de ver)
2| As mulheres com carácter... agora não me consigo lembrar de nenhuma.
3|Só as últimas duas irritara-me de tal maneira que voltei aos novels sangrentos e violentos enquanto o diabo esfrega um olho.
Um dia a Tédi (a minha ursa gorda) apanhou a revista e zás! leu-a de uma ponta à outra. E toda a gente sabe que quando a Tédi lê qualquer coisa nuuunca mais ninguém a vai conseguir reler.

Já há poucos dias, no consultório BUMBAS, dou de caras com leitura para gajedo outra vez. Pelo menos esta é grátis!
Pego na HAPPY de Maio e assim num cantinho " Como elas fazem viagens de luxo a troco de sexo" Ó Santíssimo Sacramento! É caso para dizer Não habia nexexidade! Então agora moxazzzezz casadoiras com estudozzzzezzz, académicaszzezz! Valha-nos deus!
'Pera lá! Ou então... querem ver que as viagens de mochila às costas, os interrails, as viagens baratuchas aka low cost saíram de moda já há dois meses e ninguém me avisou?



Isto não me parece nada feliz. Duas ou três páginas de testemunhos sonhadores de jovens mulheres que se diziam muito satisfeitas com este tipo de "viagens". Por acaso sempre achei esta revista esquisita.







quarta-feira, 28 de junho de 2017

Pessoas daquelas

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A mim serve que nem uma luva. Tenho as minhas pessoas e de resto passo muito bem sem small talk, constatações meteorológicas, diagnósticos e opiniões sobre saúde, comentários políticos, e (ainda e sempre) observações sobre a minha figura. O que sei da vida dos outros guardo para mim (a menos que seja necessário uma arma de arremesso) e o que não sei (às vezes) prefiro continuar sem saber.
Mas no outro dia conheci uma pessoa, Não das outras. Daquelas. Contei-lhe uma coisa que nunca tinha contado a ninguém e fiquei a sentir-me mais forte, mais capaz. No final da conversa disse "obrigada por tudo" e tudo não foi só pelas explicações claras ou pelos mapas, foi pela conversa toda. E foi sentido. Só não disse "espero termos outras ocasiões para falarmos mais." Mas devia ter dito. Não é todos os dias que conhecemos uma pessoa destas.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O meu bebé faz um ano! Parte II



Aonde é que íamos?
Ah! Portanto: eu ia entrar directamente. E entrei. PARABÉNS para mim!

"Pronto, então agora calce... trouxe chinelas... óptimo!... vá tomar um duche para relaxar e depois vista esta bata e venha ter comigo".
"Obrigada, mas já tomei em casa". 
"Mas é para relaxar". 
"Eu estou relaxada (então não se via logo? vamos lá despachar isto mas'é!)".
Lá fui. Cheia de nojinho. Mas era melhor não arranjar problemas já, certo?
A maternidade era daquelas "amigas dos bebés". Tinha bola de pilates, um banquinho com ar de também poder ser utilizado para torturas de vários tipos, cordas ou elásticos pendurados do tecto. E até uma aparelhagem se quiséssemos ter levado música. Nesta altura só queria dormir. E a música tipo zen deixava-me nervosa. Eu tinha um livro para me ajudar a distrair.
E a epidural? Eu adoro agulhas. Sempre fui sozinha levar as vacinas, desde pequena, aliás. A Mamã nunca teve de ir comigo já eu tinha mais de 20 anos. Nunca. E tirar sangue para análises? É com uma perna às costas. Certo, Lola "A Carniceira"? Nunca o maridão teve de ir comigo. Nunca. Pff... tirar sangue, fácil, seus mariquinhas!
Foi mais ou menos assim:
"Amor, acho que vou precisar de epidural, não aguento mais, tremo toda. Chama lá a enfermeira". "Sim, dê cá o papel que eu assino". 
"Então agora preciso que se deite de lado, joelhos ao peito e não se mexa". 
"Espere, espere só um bocadinho (quero a minha mãe)". "Pronto, tudo bem". "Mas vai doer não vai?" "Mas está pronta ou não? Quer desistir?"
"Sim. Acho que não vou conseguir."
"Não temos muito tempo. Tem de se decidir rapidamente. Tipo agora!"
"Pronto 'tá bem, pode ser (ONDE ESTÁS MAMÃ??????)."
" Então vamos lá outra vez. Vai ter de estar muito quieta."
" EsperEEEEE! Acha que vou conseguir aguentar a dor? Isto depois não melhora?"
"O que eu acho é que estamos a ficar sem tempo. DespachE-SE! Quer ou não?"
"Espereeeee... Ok. Pronto, eu consigo!(acho que chorei, não de dor, mas de solidão porque nesta altura não autorizam o acompanhante no quarto)!" Já pode..."

Depois seguiram-se 10 horas de esforço! Nos intervalos li o "Scat". Outras mulheres gritavam. Palavrões, algumas! Enfim, margem sul, fazer o quê? Eu não. A minha Vovó ensinou-me a ser uma lady. A sentar-me como deve ser e tal. 
Mas depois o tempo para pôr o Pessoinha cá fora estava a acabar. Ia ser preciso cesariana. Já tinha sido preciso máscara de oxigénio e mudar de posição várias vezes para não faltar o ar ao bebé.  E eu "RAIOS! Uma gravidez super saudável. Um bebé saudável! E agora vou à faca e às vezes acontecem coisas e toda a gente sabe que o parto natural é melhor para o bebé!"
Resolvi que ia gritar também! Que se lixe! E além disso a parteira já me tinha mandado gritar. E o bebé lá saiu. Alguns minutos depois de chamarem o médico para fazer a cirurgia.
PARABÉNS!!! a mim.
Muito mais perfeito do que eu imaginava. Nem roxo, nem amachucado. Era cor-de-rosa e até bonitinho. Mas isso devia ser dos meus olhos de Mãe também acabada de nascer, porque agora vejo as fotografias e o miúdo afinal era feiinho. Agora é que está um bonitão!
Os dois dias a seguir é que foram piores.
Mas tenho consciência que tive muita sorte, muita sorte! Porque este espectáculo todo é quando a coisa corre bem. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O meu bebé (vai) faz(er) um ano! Parte I


Modo: barriga-pousa-copos-de-gelados. Dava um jeitaço, há que dizer a verdade!

Parabéns a mim!, que há um ano tive uma das noites mais difíceis... não... mais carregadas de emoção e provavelmente de importância de toda a minha vidinha. As noites difíceis foram as relacionadas com tonturas, dificuldade em andar em linha recta, parvoíces e frequências no dia seguinte.

O maridão vai dar uma conta diferente, mas, para mim, o trabalho de parto durou p'raí 16 horas. E depois viver no Alentejo... A maternidade fica só a 100 km e ele ainda teve de ir deixar as monstras no hotel canino em Santiago do Cacém. Mais 60 km. 30 para lá e 30 para cá. Eu fiquei debaixo do chuveiro a tentar manter a calma. 
Tinha tirado notas das aulas pós-parto. Também tinha pedido instruções à minha cunhada (a mãe mais prática e descomplicada que conheço). Tinha todo um rol de instruções para mim própria. E RESULTOU! Caraças! Toda uma pessoa que tem tendência para o exagero em modo calmo, a saber que estava a fazer tudo bem. Parabéns para mim!
Parabéns a mim! E à minha médica, vá, que atendeu sempre o telefone, apesar de estar também de licença de maternidade.
Por acaso, nesse dia éramos para ir para a praia. Eu ainda mal tinha conseguido ir a banhos nesse verão. Mas quando estava a fazer as sandochas... queijo e fiambre para ele (que aborrecido) e patê de atum para mim (sou uma espécie de Hobbes)... sinto umas cólicas. 
Bonito serviço! Tantos gelados devem ter-te dado um desarranjo intestinal. Boa! Pensa... nós vamos para o Carvalhal... há um wc público e dois restaurantes. Eu tenho mais 14 quilos, estão 38º e a areia está quente. Em caso de emergência quanto tempo é que demoro a chegar à casa-de-banho. Vá lá ver... lei da inércia? Dos corpos em movimento, não? Break-even point? Não, isso é qualquer coisa de economia, quando os ganhos e os gastos não sei quê...
'Pera lá!!! 40 semanas + 2 dias = X. E X equivale a... 
Já sei! Pontos para mim. São contracções! AMOOOOOR já não vamos à praia! Acho que me vou sentar no sofá e apontar os tempos. Liga lá a TV para ver como é que estamos de Brexit.
Diziam as minhas notas que era preciso já estarmos num determinado intervalo de tempo entre as contracções para nos deixarem entrar na maternidade. E raios m'partam!, mas eu é que não ia ficar ali sentada numa sala de espera a respirar aqueles ares da margem sul, juntamente com um montão de pessoas todas constipadas e com alergias.
Eu ia entrar directamente. E entrei. PARABÉNS para mim!..convencida de que aquilo ia ser rápido. Só que não foi.


domingo, 7 de maio de 2017

o dia do SIM


Sempre pensei em mim como uma pessoa de NÃO.
Não gosto de ir ao Ikea nem ao Colombo. Dá-me falta de ar.
Não gosto da feira popular. Não gosto de andar de carro.  Aborrece-me. Não gosto de comprar roupa para o meu filho (vou adorar comprar os brinquedos para a praia). Não gosto daquelas receitas novas com ingredientes esquisitos como chia. Não gosto desta mania nova das corridas (por acaso eu corro,  mas é só para poder enfardar gelados).
Não gosto da maior parte das novas modas, especialmente aquela das calças esgatanhadas nas bainhas em baixo (porque é  que alguém acha bonito andar que com umas calças que parecem ter sido atacadas por dezenas de gatinhos? porquê?).
Também não gosto daqueles fatos de banho todos coloridas com faixas e fitas por todo o lado.
Verdadeiramente encantadora,  eu sei.
Mas houve um dia em que disse SIM. Foi há 3 anos. E até assinei. E pagamos 120€ pela prova.
As alianças foram as alianças dos 25 anos de casamento da Avó Ema,  que eu pedinchei à  minha Mãe para me oferecer. A minha Avó não havia de achar piada nenhuma em ver-me casar de calças de pele sintética. Mas pelo menos a camisa era branca e com mangas de borboleta. Mas, pelo menos haveria de achar que o noivo compensaria a falta de todas as tradições.