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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Uma foto por 2017



Se tivesse de escolher só uma foto para este ano seria esta. 
Detestei estar grávida. Andei confusa nos primeiros meses de vida do bebé. 
Comecei um trabalho novo e diferente de tudo o que tinha feito até agora. Acertei em cheio, mas o mérito não é só meu. Comecei a trabalhar antes de o Pessoinha ter completado 3 meses. 
Este ano comecei a abraçar com mais força a minha nova vida. A saber estar nesta vida que escolhi (ui, que lamechas!) e que é absolutamente multipolar. Qualquer coisa entre a snob lisboeta de coração provinciano que ainda tem uns tiques, mas diz que passa a manhã  toda no campo e depois aparece de chapéu de palhinha e botas alentejanas à tirador de cortiça. Não é fácil. 
Esta foto deve ter sido tirada num sábado à tarde, à hora da cesta. Naquelas horas em que sou só mãe e vida parece bem mais simples: alimentar, brincar, adormecer, cuidar.
Não tarda, o meu bebé já não vai querer aninhar-se assim em mim, a parecer um ursinho agarrado a uma árvore. Mas enquanto quis, eu aproveitei. Sempre.
Venha 2018!


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Avarias - A jeitosa parte II


Sim, é uma espécie de luzes de Natal

No último mês avariou-se-me o carro, a máquina de lavar de loiça e para cúmulo consegui deixar cair o telemóvel do trabalho de maneira que a bateria embateu no chão de tal forma que inchou.
Só para dizer - deus dos electrodoméstico e coisas úteis em geral - que trocaria de bom grado todos os supra-citados pela televisão, pelo microondas e pela máquina de café. Se ainda for a tempo, obrigada, meu deus!
E porquê?
A televisão já veio de casa dos meus pais, já vivemos as duas juntas solteiras e despreocupadas, depois conhecemos aquele que viria a ser o maridão e estamos juntas desde sempre. Quer dizer que a dita cuja é daquelas gigantes, que pesa na boa uns 40 quilos e tem muita superfície para limpar.
A máquina do café é a mesma coisa. Quando vivíamos as duas com os meus pais partia-se (sim, forma impessoal incondicional, ou lá o que é) à vontadinha uma cafeteira por mês. Mas, desde que fomos viver para casas alugadas com cozinhas minúsculas, nuuuuunca mais. Já se fartou de viajar e, oh milagre dos milagres!, está inteira.
O microondas veio sabe-se lá de onde em segunda mão.
Agora, a porcaria do carro e a máquina de lavar loiça eram novinhos. Parece-me que há aqui uma coincidência...

A foto em cima é da cozinha, desenhada e pensada por mim, onde se pode podia arrumar a loiça da máquina todinha sem praticamente sair do sítio.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Conversas de trabalho II

Resultado de imagem para land is the only thing lasts



A outra pessoa: "Olhe pode-me ajudar aqui na montra? Não tem mais barato do que isto?"
Eu, a provinciana sorridente: "Não. Esse é nosso Último dos Moicanos (não sei porquê ando muito cinematográfica)."
A outra pessoa: "Não???"
Eu, a provinciana sorridente: "Não, não temos. Não com essa dimensão e nesta zona."
A outra pessoa: "Olhe eu vou levar um cartãozinho seu, está bem?"
Eu, a provinciana sorridente: "Com certeza. Obrigada. Bom dia".

Não, não estávamos a falar de atoalhados.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O meu bebé (vai) faz(er) um ano! Parte I


Modo: barriga-pousa-copos-de-gelados. Dava um jeitaço, há que dizer a verdade!

Parabéns a mim!, que há um ano tive uma das noites mais difíceis... não... mais carregadas de emoção e provavelmente de importância de toda a minha vidinha. As noites difíceis foram as relacionadas com tonturas, dificuldade em andar em linha recta, parvoíces e frequências no dia seguinte.

O maridão vai dar uma conta diferente, mas, para mim, o trabalho de parto durou p'raí 16 horas. E depois viver no Alentejo... A maternidade fica só a 100 km e ele ainda teve de ir deixar as monstras no hotel canino em Santiago do Cacém. Mais 60 km. 30 para lá e 30 para cá. Eu fiquei debaixo do chuveiro a tentar manter a calma. 
Tinha tirado notas das aulas pós-parto. Também tinha pedido instruções à minha cunhada (a mãe mais prática e descomplicada que conheço). Tinha todo um rol de instruções para mim própria. E RESULTOU! Caraças! Toda uma pessoa que tem tendência para o exagero em modo calmo, a saber que estava a fazer tudo bem. Parabéns para mim!
Parabéns a mim! E à minha médica, vá, que atendeu sempre o telefone, apesar de estar também de licença de maternidade.
Por acaso, nesse dia éramos para ir para a praia. Eu ainda mal tinha conseguido ir a banhos nesse verão. Mas quando estava a fazer as sandochas... queijo e fiambre para ele (que aborrecido) e patê de atum para mim (sou uma espécie de Hobbes)... sinto umas cólicas. 
Bonito serviço! Tantos gelados devem ter-te dado um desarranjo intestinal. Boa! Pensa... nós vamos para o Carvalhal... há um wc público e dois restaurantes. Eu tenho mais 14 quilos, estão 38º e a areia está quente. Em caso de emergência quanto tempo é que demoro a chegar à casa-de-banho. Vá lá ver... lei da inércia? Dos corpos em movimento, não? Break-even point? Não, isso é qualquer coisa de economia, quando os ganhos e os gastos não sei quê...
'Pera lá!!! 40 semanas + 2 dias = X. E X equivale a... 
Já sei! Pontos para mim. São contracções! AMOOOOOR já não vamos à praia! Acho que me vou sentar no sofá e apontar os tempos. Liga lá a TV para ver como é que estamos de Brexit.
Diziam as minhas notas que era preciso já estarmos num determinado intervalo de tempo entre as contracções para nos deixarem entrar na maternidade. E raios m'partam!, mas eu é que não ia ficar ali sentada numa sala de espera a respirar aqueles ares da margem sul, juntamente com um montão de pessoas todas constipadas e com alergias.
Eu ia entrar directamente. E entrei. PARABÉNS para mim!..convencida de que aquilo ia ser rápido. Só que não foi.


sábado, 31 de dezembro de 2016

Adeus 2016

Fomos a Lisboa dizer adeus a 2016

Foi um ano triste em muitos aspectos. Para mim foi inesquecível. Teve os momentos mais emocionantes e a pior noite da minha vida. Andei assustada, em pânico,  muito sozinha, muito feliz, muito confiante, tive sempre o meu companheiro ao meu lado. Dancei sozinha e já dancei muito com o meu filho. 
Lancei - me num novo desafio de trabalho.  Aprendi muito nestes últimos meses.
Parte da família volto e soube - me bem abraçar as princesas no Natal. 
Para 2017 só quero mais tempo.  Para tudo.  Para a família.  Para o Amor. Para ler. Para não fazer nada. Para escrever. Para mostrar o mundo ao meu filho. 

sábado, 1 de outubro de 2016

Nota para mim mesma


1. Custa-te levantar o traseiro da cama logo de manhã cedo para correr, mas depois ficas de bom humor o resto do dia e cheia de energia.
2. Lá por a malta ser da tua terra não quer dizer que tenham algo em comum. Poderás ter de os mandar bardamerda.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

As primeiras

Levantei-me cedo para ir dar uma corridinha. Pelo caminho pareceu-me que já havia amoras. Nem pensar... não é cedo demais? Parei para apalpar uma. Oh sim! Algumas já estavam no ponto. No resto do caminho corri de arbusto em arbusto. A comida saudável é tão importante quanto o exercício, não?

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Dar para os dois lados

Bairro Alto, Lisboa

Quando vivíamos em Lisboa íamos a pé para todo o lado e depois voltávamos para casa de autocarro ou de táxi, às vezes muito tarde. Havia sempre tempo para um copo ou um passeio, porque a cidade nunca dorme.
E o nosso cafezinho no miradouro na Graça. E o jazz aos Domingos.
Se bem me lembro esta foto foi tirada no Verão, houve jantar e depois corremos os bares do Bairro Alto até muito tarde. Só os dois. E conversámos muito. Fazíamos isso sempre que podíamos. Era quase tão bom como a vida de solteiro, mas sem a parte cansativa das expectativas e da troca de mensagens e tal. Tínhamos tão poucas responsabilidades e todo o tempo do mundo.



Monte Alentejo Blues, Alentejo
Uma das coisas a que nunca me hei-de habituar (no bom sentido) é isto de apanhar fruta das árvores. Está mesmo ali, comodamente ao lado de casa. Nem precisamos de trazer muitas de uma vez. Não temos o rolinho dos sacos de plásticos e não temos de ir para a fila da caixa. Sim. Tinha erva pela cintura, e devia haver aranhas (tentei não pensar muito no assunto), mas as tangerinas são mesmo boas.
Nos primeiros dois anos de Alentejo morri de saudades de Lisboa. O campo dava-me comichões. Depois, enjoei a vila. É demasiado urbana e demasiado "desarranjada" para uma vila alentejana. Agora, sonho com roupa a secar no meio do campo e em passar mais tempo ao Sol. Mesmo no Inverno.

É isso. Acho que dou para os dois lados. Continuo apaixonada pela vida de cidade, mas sinto-me mais livre no campo.

terça-feira, 29 de março de 2016

"The bigger picture"


Header: Miguel Tereso
 Comecei este blog como um diário. Sou uma pessoa esquecida e acho que é preciso saber de onde viemos para saber para onde vamos. Cada texto é só um bocadinho da minha vida. Mas há uns tempos que ando a pensar que isto tudo faz mais sentido como parte de algo maior: o propósito da nossa vinda para o Alentejo e o abraçar de uma vida completamente nova. 
Daí que arranjámos uma espécie de blog-irmão-mais-novo dedicado só ao alojamento local, em que este diário será uma pequena parte.
Portanto, duplicámos o nome e vamos arranjar um espacinho aqui ao lado para manter tudo juntinho, afinal somos aquilo que fazemos e aquilo de que gostamos e as experiências que vivemos.
Começamos logo pelo princípio e vamos acrescentando lugares que nos fazem felizes, coisas para fazer, boa comida e bom vinho, lojas, praias, outros projectos. Aqui no Alentejo ou no resto do país.
 
Este foi o primeiro post e podem ler o resto do texto em
 
"A nossa estória começou em Lisboa. Já tive o prazer de, em tempos, a contar ao jornal Sol e começa assim:

Uma tarde, no último dia de umas férias de Verão no Alentejo, sem a mínima vontade de voltar ao trabalho em Lisboa, baixou em mim a mui original fantasia de “ e se nos mudarmos aqui para o campo, remodelarmos o monte e o alugarmos a estrangeiros?”
“ Talvez um dia”. Foi a resposta do namorado, antes de começar a fazer as malas, sozinho.
Isto foi ainda antes da moda dos jovens licenciados, desgostosos com a vida na cidade, deixarem a correr os seus empregos e irem viver para o campo para se dedicarem à agricultura. Foi antes da moda dos revivalismos e dos pequenos negócios da internet chegarem à televisão."

terça-feira, 15 de março de 2016

Às vezes finjo que vivo em Marrocos #2: regatear


Eu não era de regatear preços. Sou filha da Europa Ocidental e de preços tabelados. Portanto, pago o que pedem ou não pago nada e não compro. Feiras... mercados... FIA... nada.
Até que... fui a Marrocos e aprendi. E, não é que dá um jeitaço?!
 
Por exemplo, marcar consulta no centro de saúde.
 
Eu: "Boa tarde, precisava de marcar uma consulta. Não tenho médico de família."
Recepcionista: "Só temos para a Maio"
Eu: "Mas as grávidas têm prioridade, não é?"
Recepcionista: "Têm. Mas o mais cedo que consigo é para daqui a um mês".
Eu: "Não dá. É muito tarde. Ás tantas nasce o bebé antes de eu ter hipótese de repetir a análise.
Recepcionista: "Pois. Mas é o que há."
Eu: "Mas há assim tantas grávidas? Olhe que eu já uma vez vi uma velhota a sair de uma consulta de planeamento familiar. Veja lá se não há mesmo nada mais cedo."
Recepcionista: "Olhe, consigo para daqui a 3 semanas"
Eu: Pois. Mas é muito tarde. Preciso mesmo de refazer a análise."
(Ficamos as duas caladas durante um bocadinho.)
Recepcionista: "Só um bocadinho que vou ver passar a chamada para a enfermeira."

Falo com a enfermeira e ela (oh surpresa das surpresas! diz que não me pode ajudar nisto). Passa para a recepcionista.

Volto a explicar tudo à recepcionista.

Recepcionista: "Só tenho mesmo para daqui a 3 semanas".
Eu: "Mas pode ser com um médico qualquer que é só para passar a análise".
Recepcionista: "Mas mesmo assim".
Eu: "Pois. Mas isso não dá. É demasiado tarde".
(Depois fico caladinha e torço o nariz como quem diz que vou mas é comprar ali ao lado que é mais barato).
Recepcionista: "Deixa-me lá ver isto outra vez"
.
Entretanto fala sozinha. E depois, oh milagre dos milagre!, afina,l há consulta para daí a uma semana. Cheira-me que se tivesse continuado nesta lengalenga, às tantas, conseguia consulta para o dia seguinte.
 
 
 
 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Alentejo Weaving | Tecer o Alentejo


Quem vem ter connosco primeiro é Monica. Vem sorridente e atarefada, do que parece ser uma pequena horta nas traseiras da casa. Do outro lado a paisagem é simples e calorosa e toca até os corações mais urbanos: a planície dourada alentejana pontuada por ovelhas em pequenas encosta suaves a perder de vista.
Um gato espreguiça-se ao Sol no calor ameno do fim da tarde.
Carlos Oliveira recebe-nos logo de seguida de mão estendida para um "passou bem"(na verdade, não podia estar melhor e ainda não tinha visto a lojinha) caloroso. Recebe-nos com um sorriso honesto e paciente de quem está habituado às gentes mas aprecia o silêncio da planície.
Descobri a Alentejo Weaving por acaso através da Vida Portuguesa. Quando percebi que era aqui mais ou menos perto não descansei enquanto não lá fui ver tudo pelos meus próprios olhinhos.
A loja é dentro da propriedade de Carlos e Monica, assim como a oficina, onde são executadas as peças. Aqui respira-se respeito pelas tradições, pela terra, pela vida.
Almofadas, mantas e malas. Tudo feito artesanalmente e por encomenda (se quisermos). Cada peça é única e Carlos nunca repete o padrão e não gosta de fazer a mesma peça duas vezes.
- "Fica mais caro" - diz, - "porque é muito cansativo estar com toda a atenção para conseguir repetir o desenho sem erros".


Para quem como nós vive a respirar Zara, H&m, Ikea e companhia limitada, é quase estranho (mas em bom, em muito bom!), delicioso e absolutamente magnífico perceber a extraordinária qualidade destes materiais e a mestria com que as peças são feitas. E, como estou cada vez mais numa de comércio justo e local acho-me completamente deslumbrada com estas pessoas que resistem em juntar-se ao fácil e ao barato, que são capazes de pensar a tradição e de arranjar maneira de a renovar, fazendo com que perdure no tempo. É o caso destas malas, que foram ideia de Monica Curtin, fotógrafa inglesa e companheira de Carlos.




A loja fica num pequeno anexo que foi "vestido" a rigor para albergar as peças que Carlos vai fazendo sair do tear. Mas há artigos que não estão à venda como este tapete aqui em baixo ao meio.

 
 
 
É um bocadinho como a Alice no País das Maravilhas. Entrar aqui é como entrar num mundo completamente diferente.
 

E depois nunca mais vamos olhar para a fast-fashion da mesma maneira.


Eu ainda tive direito a uma pequena introdução ao ciclo da lã e ao processo desde a tosquia da ovelha até à fase em que a lã está pronta para ser trabalhada no tear. Até fiquei a saber que a lã de melhor qualidade, mais resistente já quase pronta a trabalhar ainda cheira ligeiramente a ovelha (épah, c'a nojo!, mas por acaso não! ok?). É um cheiro suave e ligeiramente adocicado que não se nota logo.
E, já agora, que não tarda estamos no Inverno, até é importante sabermos estas coisas, que é para depois percebermos porque raio passamos frio com as camisolas da Zara que, na maior parte da vezes não têm um pingo de lã.


Alentejo Weaving fica perto do Cercal na costa alentejana. Pelo caminho, na estrada de terra batida, ainda me fartei de apanhar e comer amoras.





 

domingo, 26 de julho de 2015

Verão a correr






Fazer turismo. No nosso caso não significa descansar e passear. Mas também passa por isso. Sempre que é possível. Porque era mau demais não aproveitar este calorzinho, este céu azul e esta atmosfera que é na maior parte do tempo feita de boas vibrações. 
A semana que acaba hoje foi a verdadeira correria. FMM em Porto Covo, Sines, Lisboa, com um dia inteiro a banhos pelo meio e muito trabalho. Não há rotinas. Com tudo o que isso tem de bom e mau. E Domingo, hoje, não é dia de descanso. Dormirei lá para o Inverno.


terça-feira, 14 de julho de 2015

Rotinas





À falta de Zaras e companhia limitada, a ida ao mercado na segunda segunda-feira de cada mês  tornou-se uma espécie de rotina, de que gosto bastante.
 
Ir ao mercado lembra-me de quando ia à praça com a minha Mãe. Ela de cesto grande, eu de cesto pequenino. E a minha Mãe fazia as compras sempre nos mesmos vendedores. Acho que ainda faz, sempre que possível.
Para manter a tradição comprei o poejo e a hortelã ao senhor a quem, no mês passado, comprei a buganvília.
O abajour foi trazido pelo senhor que também vende chapéus e que me tinha prometido trazer uns abajours de vime que tinha "p'ra lá". Desde que pintei a parede do quarto de preto que andava à procura de um abajour em vime para o candeeiro da mesa-de-cabeceira. Este é demasiado grande, mas já lhe arranjei outro sítio. Há sempre espaço para coisas bonitas.
 Foi ao senhor dos chapéus que comprei também as bases redondas (acho que faço colecção, não tenho a certeza) e as colheres de madeira, que dão sempre jeito e nunca são demais. (Certo, Mãe?)
 
Por outro lado já começava a achar que esta casa continha demasiado Ikea e assim a coisa vai-se equilibrando.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Pão alentejano = good vibes

 
 
Talvez um dia enjoe. Mas até lá, pão alentejano sabe-me a férias e o pequeno-almoço é sem pressas e sem pensar no resto do dia, que muitas vezes é todo em contra-relógio.
Mas hoje, com sol e calor e o pão ainda quentinho sei que vou sentir-me de férias o resto do dia.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Bike + insta

 

Uma pessoa de repente - mais ou menos, vá - lembra-se que era giro ir andar de bicicleta, até porque de repente, também, parece que é Primavera por estas bandas. 
Fomos para a serra. Infelizmente, não me lembrei logo, porque não sou muito dada a estas coisas, que devia custar imenso subir 4 ou 5 quilómetros seguidos de bicicleta, portanto tivemos de cortar caminho por um atalho. O que não foi muito boa ideia porque temos viagem marcada para o final do mês e não dava jeito nenhum partir um fémur nesta altura. Por outro lado, parece-me que as pessoas de muletas têm prioridade na entrada para o avião e com as muletas talvez ninguém se lembrasse de verificar se a malinha teria o tamanho e peso adequado. O que me chateava à grande era ficar sem os dentes. Ainda por cima, os meus dentes até são bonzinhos e direitinhos, de maneira que era uma maçada ficar sem eles ainda tão nova, e depois não vinha nada a calhar para as fotos da viagem... mas adiante!
Ora, lá fomos pela estrada de terra batida, poças de lama e pedregulhos no meio do caminho. Uma maravilha para quem tem dificuldade em pedalar em linha recta, em fazer curvas apertadas e muito medinho de descidas.
Salvou-se o campo verdinho e bonito a toda a volta e que estava mesmo a jeito para umas fotos. O que também foi difícil porque o telefone é novo e eu mal conseguia ver o que estava a fazer porque não faço a mínima ideia de como se ajusta a luminosidade do ecrã. Safaram-se umas 2 ou 3 que podem ver aqui ao lado no instagram. Claro que não há fotos minhas a andar de bicicleta, era o que faltava!, essas foram previamente censuradas. Mas posso garantir que voltei a casa com dentes e ossos intactos e até vontade de repetir o passeio.



 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O Verão com as vantagens do Outono

Era para termos ido à praia na quinta, contudo, para não variar, tivémos mais umas remodelações. Não fomos. Mas com o cair de mais uma noite de Verão achei que aquilo não podia ser. Basta de remodelações, pelo menos enquanto estiver calor. É um crime, com a praia aqui tão perto, não aproveitar o que podem ser os últimos dias de praia (em traje apropriado, também conhecido por calções e bikini) deste ano!
Portanto, acordámos cedo e ala que se faz tarde.
Uma maravilha: calorzinho confortável, não deu para ir à água mas também tinha parado num cafézinho a meio caminho para ir ao xixi e gosto de tomar banho é em casa, de um lado as ondas enorme a fazer lembrar o som de uma trovoada na rebentação e do outro o chilrear dos passarinhos. Ao fundo, dois turistas estrangeiros e nada mais. Como tudo o que é lisboeta já voltou ao trabalho a praia parecia uma ilha deserta. A nossa ilha deserta.


Para quem estava à espera de ver os meus pés de unhas perfeitamente pintadas na areia, peço desculpa, mas lamentavelmente esqueci-me de levar a máquina fotográfica com a pressa de sair, de maneira que fica para a próxima.

domingo, 17 de agosto de 2014

Costa Vicentina

Desta vez foi tudo muito bem planeado. O farnel para a praia: sandes de atum para mim, sandes de outra coisa qualquer para ele, ovos cozidos, fruta, sumo. A indumentária: vestinho para o dia, calções, blusa e agasalho para a noite. Despertador para as 9h. Destino: Milfontes.
Pelo caminho: um mergulho em cada praia.







Infelizmente não nos ocorreu que este era o fim-de-semana "grande" de Agosto e que a Costa Vicentina está pejada de emigrantes e de "tugas", essa espécie que não sabe manter a devida distância na praia. Voltaremos em Setembro quando o país inteiro voltar ao trabalho e tivermos as praias só para nós.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Porto Covo

Noutros tempos, que é como quem diz no ano passado por esta altura, teríamos ido a correr passar a tarde a Lisboa. Mas, este ano decidimos conhecer melhor e reconhecer o Alentejo. 
No Domingo, o objectivo era Milfontes. Mas acordámos tarde. Arrastámo-nos por casa grande parte da manhã e quando finalmente conseguimos sair era tarde demais. Ficámos a meio caminho. 
Estive quase a desgraçar-me entre cestos, cestinhas e mantas alentejana, brincos, letreiros e pulseiras. Mas trouxe só um cestinho. Estou a guardar a oportunidade de comprar sininhos, mantas alentejanas e mais cestos para outra altura.
Só tive mesmo pena de não termos acertado com os restaurantes.

Malta da restauração de Porto Covo:


1. Não vale dizer que não se tem serviço de esplanada e depois vir à porta gritar que a tosta mista está pronta. Não vale mesmo! Se se dão ao trabalho de sair de trás do balcão e caminhar até à esplanada para dar dois berros aos fregueses, podem aproveitar e trazer logo o pedido. Ou estou a ver mal a coisa?




2. Não vale vender coisas do IKEA ao dobro do preço, lá porque se está a, pelo menos, uma centena de quilómetros da dita loja não quer dizer que as outras pessoas ainda lá não tenham ido, sim? 



3. Fazer os fregueses esperar meia hora por um polvo ao alhinho, esquecerem-se dostalheres e de um dos pratos e não ter um cesto com pão na mesa. Não dá! E ainda por cima, só na altura de pagar é que se lembram de pedir desculpa "por qualquer coisinha".









































domingo, 3 de agosto de 2014

A coluna do jornal "Sol": Festivalar no Alentejo

Escrevo para o "Sol" desde fevereiro. Sai sexta sim, sexta não. Esta foi  saiu na edição de 25 Julho. Na próxima sexta há mais, no jornal.

Longe vão os dias em que este casal rockeiro ia a um festival de Verão assim como quem vai ali à loja da fruta e já vem. A combinação praia-concerto-noite de copos é dos melhores programas de Verão. Quando vivíamos em Lisboa não passávamos sem ele e agora continuamos a fazer por isso. Mesmo quando não havia cartaz que nos agradasse ao ouvido ou à carteira havia sempre um ou outro concerto dentro de portas e mais uma dúzia deles à borla e ao ar livre. Mas isso era antes de virmos para o Alentejo. Quando ir a um concerto não implicava nem conduzir 200 quilómetros nem dormir fora de casa. Por outro lado, se até aqui era possível fazer férias no Verão, desconfio que daqui para a frente as férias vão ficar limitadas aos meses de Inverno e tirar uns dias para ir acampar para um festival poderá não ser possível nos próximos tempos. 
Agora, ir festivalar para Lisboa ou arredores obriga a toda uma logística que, para quem estava habituada a contar só consigo, se assemelha à de uma família numerosa, quando na verdade somos só um casal e uma criatura de quatro patas. Ou, então, sou eu que complico as coisas. 
Como festival e copos não condizem com condução, o primeiro passo é arranjar dormida: ligar aos amigos e saber quem nos pode dar abrigo. Depois, porque nem todos os albergues amigos aceitam a estadia da nossa cadela, é necessário arranjar dormida também para ela, de preferência perto da nossa para não ser preciso andar às voltas para deixar e levantar a "encomenda". 
Em terceiro lugar é preciso arranjar lugar para estacionar o carro, que tem de ser em linha com os transportes públicos necessários a toda a deslocação e fora das zonas com parquímetro.          
Quando se pensa em ficar a festivalar pelo litoral alentejano pensa-se logo no Sudoeste mas, depois, vai-se a ver e o cartaz está cheio de dj's de quem nunca ouvi falar e já sabemos que aquilo vai estar a abarrotar de miudagem, e já não paciência.   
Para ficarmos pelo litoral alentejano não há melhor do que o Festival Músicas do Mundo de Sines. Raramente repetem as bandas, gasta-se muito menos dinheiro, quando comparado com os outros festivais, não há ninguém a impingir catrefadas de brindes, que depois de anos encafuados numa gaveta, porque podem dar jeito, acabarão eventualmente no lixo.  E a cereja no topo do bolo: dezenas de barraquinhas com artesanato. 
Fiquei encantada há uns anos atrás quando passei lá quatro dias, a fazer praia durante o dia e a ouvir música até de madrugada. Mas, logo no ano seguinte o parque de campismo a modos que fechou podia-se acampar mas por conta e risco dos festivaleiros e o slogan  "música com espirito de aventura" passou a assentar que nem uma luva. No último ano, ir a banhos de água doce só mesmo nos chuveiros da praia, mudar de roupa requeria toda uma ginástica ou simplesmente perder a vergonha e cá vai disto! Não sei se importa esclarecer, mas eu optei sempre pela ginástica. Os mais corajosos aguentaram os dias todos, mas há quem, neste regime, não aguente mais do que um fim-de-semana. 
Entretanto, suponho que a organização do festival terá percebido o potencial que um evento deste tipo tem para o turismo e para a economia local e em como ficamos todos mais ricos quando decidimos escutar o Mundo e este ano apostou-se novamente em melhorar as condições de estadia dos visitantes. Aliar a praia à música e à cultura pode ser, certamente, uma das melhores ofertas do Alentejo num programa alternativo mas extensível a toda a família. 


Ana Rosado