Escrevo para o "Sol" desde fevereiro. Sai sexta sim, sexta não. Esta foi saiu na edição de 25 Julho. Na próxima sexta há mais, no jornal.
Longe vão os dias em que este casal rockeiro ia a um festival de Verão assim como quem vai ali à loja da fruta e já vem. A combinação praia-concerto-noite de copos é dos melhores programas de Verão. Quando vivíamos em Lisboa não passávamos sem ele e agora continuamos a fazer por isso. Mesmo quando
não havia cartaz que nos agradasse ao ouvido ou à carteira havia sempre
um ou outro concerto dentro de portas e mais uma dúzia deles à borla e
ao ar livre. Mas isso era antes de virmos para o Alentejo. Quando ir a um concerto não implicava nem conduzir 200 quilómetros nem dormir fora de casa. Por outro lado, se até aqui era possível fazer férias no Verão, desconfio que daqui para a frente as férias vão ficar limitadas aos meses de Inverno e tirar uns dias para ir acampar para um festival poderá não ser possível nos próximos tempos.
Agora, ir festivalar para Lisboa ou arredores obriga a toda uma logística que, para quem estava habituada a contar só consigo, se assemelha à de uma família numerosa, quando na verdade somos só um casal e uma criatura de quatro patas. Ou, então, sou eu que complico as coisas.
Como festival e copos não condizem com condução, o primeiro passo é arranjar dormida: ligar aos amigos e saber quem nos pode dar abrigo. Depois, porque nem todos os albergues amigos aceitam a estadia da nossa cadela, é necessário arranjar dormida também para ela, de preferência perto da nossa para não ser preciso andar às voltas para deixar e levantar a "encomenda".
Em terceiro lugar é preciso arranjar lugar para estacionar o carro, que tem de ser em linha com os transportes públicos necessários a toda a deslocação e fora das zonas com parquímetro.
Quando se pensa em ficar a festivalar pelo litoral alentejano pensa-se logo no Sudoeste mas, depois, vai-se a ver e o cartaz está cheio de dj's de quem nunca ouvi falar e já sabemos que aquilo vai estar a abarrotar de miudagem, e já não há paciência.
Para ficarmos pelo litoral alentejano não há melhor do que o Festival Músicas do Mundo de Sines. Raramente repetem as bandas, gasta-se muito menos dinheiro, quando comparado com os outros festivais,
não há ninguém a impingir catrefadas de brindes, que depois de anos
encafuados numa gaveta, porque podem dar jeito, acabarão eventualmente no lixo. E a cereja no topo do bolo: dezenas de barraquinhas com artesanato.
Fiquei encantada há uns anos atrás quando passei lá quatro dias, a fazer praia durante o dia e a ouvir música até de madrugada. Mas, logo no ano seguinte o parque de campismo a modos que fechou — podia-se acampar mas por conta e risco dos festivaleiros — e o slogan "música com espirito de aventura" passou a assentar que nem uma luva. No último ano, ir a banhos de água doce só mesmo nos chuveiros da praia, mudar de roupa requeria toda uma ginástica ou simplesmente perder a vergonha e cá vai disto! Não sei se importa esclarecer, mas eu optei sempre pela ginástica. Os mais corajosos aguentaram os dias todos, mas há quem, neste regime, não aguente mais do que um fim-de-semana.
Entretanto,
suponho que a organização do festival terá percebido o potencial que um
evento deste tipo tem para o turismo e para a economia local e em como ficamos todos mais ricos quando decidimos escutar o Mundo e este ano apostou-se novamente em melhorar as condições de estadia dos visitantes. Aliar a praia à música e à cultura pode ser, certamente, uma das melhores ofertas do Alentejo num programa alternativo mas extensível a toda a família.
Ana Rosado
Ana Rosado
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